Esperança à luz da Doutrina Espírita
@jornal espírita Libertador
Esperança à luz da Doutrina Espírita – A esperança é uma virtude muito importante para o ser humano e contribui com sua felicidade real. É um sentimento íntimo desenvolvido pela reflexão, por um trabalho interno intenso, que somente o indivíduo é capaz de realizar.
Nestes momentos pandêmicos, ela tem sido intensamente buscada, embora muitas vezes mal compreendida. Muitos a entendem como um esperar estático, sem nada fazer em prol do que se espera. Ao contrário, por ser virtude, é força ativa, atuante, e não um desejo vago, paralisante.
Muitos têm esperança de paz no mundo, mas não se esforçam para estar em paz consigo mesmos e com os outros. Não se pede a ninguém que faça ações grandiosas, mas somente que cada um cumpra os deveres ao seu redor.
O Espírito Manoel Philomeno de Miranda explica, na obra No rumo do mundo de regeneração, em seu capítulo 11, que “A atual pandemia (…) é uma grande instrutora das massas, mesmo quando propicia dores inomináveis. (…) se trata de precioso recurso da Vida a fim de demonstrar a transitoriedade do corpo e a perenidade do ser”.
Os tempos atuais são de medo, de incertezas, consequência de os seres humanos se distanciarem de Deus, ainda quando estejam formalmente ligados a diferentes religiões.
O foco de mente e coração no bem, com a devida ação nas faixas da alegria, do trabalho nobre e da fraternidade é que ajudará na resistência às fobias e ao desespero, e no suprimento de bons fluidos ao ambiente em redor.
A esperança real não se angustia com o futuro, mas vive com sentimento de segurança, de alegria de quem sabe que há um Pai criador que ama infinitamente Seus filhos, e que a Sua Vontade é que ocorra sempre o melhor para o aprendizado e a felicidade das suas criaturas.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no seu capítulo 6, “O Cristo Consolador”, item 2, Allan Kardec explica que a fé é a base da esperança, capaz de enfrentar misérias, decepções, dores físicas e perda de seres amados. Isso ocorre porque encontram consolação na fé no futuro e na confiança quanto à Justiça de Deus, ensinamentos que o Cristo veio trazer aos homens.
No tocante àquele que nada espera após a morte do corpo físico, ou que tem dúvidas, as angústias e tribulações podem se tornar um grande fardo. Portanto, é preciso que se tenha uma esperança baseada na confiança plena de que tudo acabará bem, porque essa confiança é calcada nas Leis Divinas que regem o Universo com uma precisão infalível.
Não existe acaso nas ocorrências do mundo, mas sim uma lei de causa e efeito, que se ajusta perfeitamente às ações atuais e pretéritas, ou seja, nesta existência ou em precedentes, de cada indivíduo ou grupo social. Assim, aquele que atende a seus deveres, com responsabilidade, compreende que se acha dentro de um plano maior, expiando o que lhe seja o melhor dentro do processo educacional do Espírito.
Muitos permitem que sua confiança no Criador arrefeça porque acreditam que, por serem adeptos de uma religião e por se esforçarem no bem, estarão isentos de passar por dores físicas ou morais, que normalmente chegam em algum momento da existência pela atual condição evolutiva do planeta Terra.
Em O Livro dos Espíritos, na questão 924, os Espíritos superiores explicam que todos os homens, mesmo os mais justos, devem se resignar e sofrer sem murmurar pelos males que os atinjam, e que podem sempre haurir consolação na própria consciência, que lhes proporciona a esperança de um futuro melhor, com a condição de que façam o que seja preciso para conquistá-lo.
Veja também:
TRANSMIGRAÇÃO DE POVOS – Livro: A caminho da luz
Na mesma obra, na questão 941, eles ensinam que o justo não sente medo da morte devido à fé que possui no futuro. Acrescentam que a esperança de uma vida futura melhor e a caridade que ele pratica lhe dão a segurança de que não encontrará olhares que os faça temer.
Deste modo, deve-se esforçar para fazer o melhor para todos ao redor, sem deixar se arrastar pelas aflições transitórias que visitam homens e mulheres com fins regenerativos e/ou edificantes.
Deve-se também cuidar das palavras proferidas para que contribuam em benefício da esperança e da paz daqueles com quem convivemos, de modo a estimulá-los a um comportamento digno, mesmo diante de situações difíceis.
O ideal e a coragem se fortalecem com a esperança, mesmo quando tudo parece que vai se perder. Quem a mantém em si não desanima, nem se sente abandonado quando as circunstâncias convidam ao testemunho e à solidão.
O homem justo, nas horas de amarguras, lembra-se de Jesus, e agradece as vicissitudes porque com Ele a vida é esperança permanente de bom ânimo, com vistas à redenção.
67 comentários